terça-feira, 29 de julho de 2014

O autoritarismo eclesiástico




O papado evangélico

Ola amigos do blog ai graphai, que bom estar junto com vocês novamente, hoje, falarei sobre o abuso de certos líderes e de certas lideranças evangélicas em nosso país. Não sei o que esta havendo com o povo brasileiro, pois este aceita ser oprimido politicamente, socialmente e até espiritualmente. Não são poucos os casos que ouvimos e que até presenciamos no meio evangélico, de abuso de autoridade ou nepotismo dentro da igreja.
Mas afinal de contas, a igreja pertence ao Senhor Jesus? Ou aos senhores pastores? Você já se perguntou meu irmão e minha irmã, se o seu trabalho na igreja é para Jesus de fato, ou para o seu pastor e liderança? E se é certo a igreja passar de pai para filho como acontece em diversas cidades e igrejas?
Parece que as igrejas de hoje, são um negócio de família, o pai (pastor) toca o negócio até a sua morte, depois, o filho que grande parte do tempo nunca se importou de fato com a obra, herda a igreja e os irmãos.
Escrevo este post, não para julgar as igrejas evangélicas, mas para que todos reflitam no que estão fazendo, e vejam realmente a quem estão servindo e onde estão congregando. Muitos pastores tratam a igreja como se fosse uma empresa, pois de fato para eles ela o é. Pois fazem do dinheiro dos dízimos o que bem entendem, mandam e desmandam na igreja como querem, chutando porta a fora a todos que ousarem discordar ou ameaçar seu império eclesiástico.
Para que este post não fique só em minhas palavras, recorrerei às escrituras como fonte de autoridade para tudo que passarei a escrever e defender aqui. Não quero e não espero que todos  irão aceitar e apoiar tudo o que escrevi neste post, mas espero que os que forem sinceros de coração e que desejam servir de verdade ao Senhor o leiam do início ao fim e comparem com as escrituras sagradas tudo o que eu disser neste estudo.  Pois vou tratar de assuntos e coisas que acontecem no meio evangélico em paralelo com a palavra de Deus e ver se essas coisas se enquadram nas Escrituras ou se são apenas erros de conduta ou de caráter de certos líderes evangélicos.
1-      A igreja do Novo Testamento era governada por um líder ou era democrática?
Certa vez, um pastor querendo justificar sua conduta ditatorial na igreja, disse-me que a igreja na Bíblia era teocrática e não democrática! Ou seja, para ele, a Bíblia ensinava que a liderança da igreja era exercida por um único líder que poderia fazer o que quisesse sem perguntar nada a ninguém, pois era o anjo da igreja, e o escolhido para liderar aquele rebanho.  Segundo ele, todos deveriam seguir o seu ponto de vista sem objeções. Mas o que diz a Bíblia sobre a igreja do Novo Testamento? Era de fato governada por uma espécie de papa evangélico? Ou era uma instituição democrática, onde todos tinham tudo em comum e decidiam junto o que deveriam fazer? Deixemos as Escrituras falarem por si só:
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão e no partir do pão, e nas orações. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum” (Atos 2. 42,44).
Percebam que a Bíblia diz que a igreja perseverava na doutrina dos e não do apóstolo! Pois não era um papado, não tinha um líder, mas doze líderes. Mas esse texto não para por ai, perceba também, que ele nos diz o seguinte: estavam juntos e tinham tudo em comum. Amados, estar junto e ter tudo em comum não significam obedecer cegamente os desejos e visões de um líder, mas sim compartilhar a fé e a obra, que devem estar ligadas a palavra de Deus e não ao coração e sonho pessoal de um líder! Versos 42 perseveravam na doutrina dos apóstolos.
Vamos ver mais exemplos da Bíblia sobre como era exercido o governo da igreja, se era um papado, com apenas um líder, ou se era democrático, onde todos podiam participar das decisões.
“Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos as mesas. Escolhei, pois, irmãos, de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (Atos 6. 1-3).
 Mais uma vez, o livro de atos dos apóstolos, livro que tem a impressão digital da igreja, que revela como funcionava a igreja no tempo dos apóstolos, nos mostra de forma bem clara que a liderança da igreja não era exercida por um só líder, mas os doze a governavam. Por tanto, como vimos até agora, não a base bíblica para justificar o papado evangélico moderno, onde o pastor manda nas finanças da igreja, na decoração, e em tudo, como se fosse uma empresa que possui um dono. Podemos ver no verso citado acima, que a função do líder é pregar e orar, e não ficar se envolvendo com as coisas pequenas, que o tirem do seu dever sagrado. Os apóstolos não ignoraram o problema que surgiu na igreja, mas reconheceram que não era função deles se envolverem com estas questões e repassaram para a igreja escolher (tomar decisão) quem resolveria o problema. 
Vejamos mais um exemplo:
“E havia entre eles alguns varões de Chipre e de Cirene, os quais, entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor. E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia” (Atos 11. 19-22).
Aqui, temos mais um exemplo que a igreja não era governada por um só líder, mas agia em comunidade em comunhão com a liderança dos doze apóstolos. Perceba que o verso diz que a notícia (fama) chegou aos ouvidos da igreja, e não de um líder. Se fosse a igreja governada por um líder, o verso diria que a fama chegou até os ouvidos do apóstolo tal, ou seja, citaria o nome do indivíduo. Outra coisa que precisa ser observada no verso acima, é que ele diz que enviaram Barnabé, e não que alguém o enviou.  Sempre é usado o verbo no plural e não no singular, indicando claramente que o governo da igreja não é de uma pessoa só, mas democrático.
Mais um exemplo:
“Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, Cirineu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e Jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram” (Atos 13. 1-3).
Esse é um exemplo grandioso de como a igreja era democrática, e que não era exercida por um papa (líder, ditador), pois se trata da igreja de Antioquia e não a de Jerusalém. E ele nos revela que a liderança desta igreja estava em jejum quando o Espírito Santo vem e ordena a separarem Barnabé e Saulo para o ministério. Eles não consultaram a liderança dos apóstolos para saber o que fazer, tinha autoridade ou liberdade para fazê-lo, o que nos indica mais uma vez, que a igreja era democrática e não uma ditadura eclesiástica como a igreja moderna.
Para finalizar, cito o primeiro concílio da igreja, a Assembléia de Jerusalém, que esta no capítulo 15 de Atos dos Apóstolos. Não vou colocá-lo todo aqui, pois é um texto grande, mas todos podem verificá-lo em suas bíblias e atentarem para as seguintes informações:
A Assembléia de Jerusalém (Atos 15.1-30)
a)      As decisões do concílio não foram tomadas por um único líder, mas pelos apóstolos e os anciãos (Atos 15.6);
b)      Essa liderança não era de poucas pessoas, pois o texto diz que era uma multidão (Atos 15.12);
c)       A decisão final foi tomada com base nas opiniões dos apóstolos, dos anciãos e de toda a igreja (Atos 15. 22, 25).
Aqui vemos um inegável exemplo que a igreja não deve ser governada por um único líder, pois é imoral, e totalmente anti-bíblico! Penso que a maioria dos crentes de nossos dias deveria repensar o evangelho que esta seguindo, e ver se a igreja onde serve é de fato uma igreja séria, que segue a Bíblia ou é uma igreja empresa, onde o pastor usa e abusa como quer do privilégio de ser o líder da comunidade.

2-      Os pastores não podem ser confrontados pelos membros quando erram?
Muitos líderes usam este argumento para defender seus atos ditatoriais e seus caprichos pessoais na frente da obra e saírem ilesos diante da congregação.  Intocáveis, e inalcançáveis pelos demais membros da igreja. Mas o que a Bíblia diz a respeito disto? Bem, a Bíblia diz que devemos orar pelos nossos líderes, respeitá-los e tudo mais, isso é verdade e é bíblico. Mas a Bíblia mostra exemplos de líderes que erraram e foram sim confrontados pelo seu erro, pois é dever da igreja zelar pela santidade do culto.
Cito agora dois exemplos, onde Paulo defende sua liberdade de pensamento e crença até diante dos apóstolos (Gálatas 2.1,2,5) Onde Paulo diz que não cedia nem uma hora para que a verdade do Evangelho fosse mantida! E o outro exemplo, é o que ele repreende o apóstolo Pedro na sua presença pois este estava andando de maneira dissimulada (Gálatas 2.12-14).  Em ambos os exemplos, Pulo não se importou se eram seus superiores hierarquicamente, se eles andaram com Jesus pessoalmente, mas manteve seu ponto de vista indiferentemente da opinião e vontade deles, e depois repreendeu a Pedro na presença de todos!
Infelizmente, muitos tratam seus pastores e líderes como se fossem verdadeiros papas, não podem ser contrariados nem desobedecidos, senão eles podem amaldiçoar ou invocar o Deus todos poderoso para te fazer um mal. 
Não devemos tratar os pastores como se fossem deuses, pois não são. Nem melhores do que as demais pessoas, pois também não são. Devemos amá-los, honrá-los e respeitá-los pelos que fazem pela obra de Deus, mas sempre termos consciência, que a igreja não é deles é de Deus.
Soli Deo Glória!

Pr. Igor de Moura Cogoy

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